As Palestras de Ângelo Monteiro
Instituto Olavo de Carvalho
Curitiba, 10 e 11 de dezembro de 2010
De 9 a 11 de dezembro de 2010 o Instituto Olavo de Carvalho serviu de candelabro ao poeta e filósofo Ângelo Monteiro. Desceu do avião na quinta-feira, fim de tarde, portando uma pasta de couro e uma pequena mala que não poderia atirar sobre o mar: outro passageiro lhe revelara que Curitiba fica a uns cem quilômetros do Oceano Atlântico. Na manhã seguinte, porém, não somente já tinha comprado um volume de Emílio de Meneses, do qual não viria a separar-se, como também expressava declaradamente o desejo de ser fotografado na Praça General Osório diante do busto daquele poeta satírico. Fotografado foi, no sábado, antes do almoço.
Deu ainda nesse dia a segunda palestra. Começou por mostrar a anterioridade do discurso mitopoético na história cultural, recordando-nos a teoria dos quatro discursos, e terminou com um apelo a homens que vejam na transcendência a sua "herança inalienável" e que portanto se sacrifiquem — pela religião, pela poesia, pela filosofia — e entreguem algo que se sobreponha "ao ramerrão mais miserável dos dias". Sem o fogo sagrado, sem a dimensão poética, sem o alcance filosófico, disse ele, uma cultura "não pode ser chamada de cultura, a não ser num sentido bastante secundário".
"A Filosofia e a Poesia além de uma Leitura Crítica" como que fundamenta a palestra de sexta-feira, "A Poesia como Chave de uma Autobiografia Interior". A trayectoria biográfica, de Penedo por Gravatá a Recife, confunde-se de tal maneira com a atividade poética que "não sei qual das duas é mais real do que a outra, ou mais plena de si mesma". E conclui: "Na poesia, como nas histórias de fadas, não sei se consegui exorcizar a maioria dos fantasmas ou, pelo menos, iludir as bruxas e os dragões que se postaram no meu caminho. Mas acredito que, segundo os Evangelhos, as promessas da poesia — quem sabe? — poderão um dia ser realizadas na eternidade."
Agradecemos a todos aqueles que se inscreveram para testemunhar o evento e a cada um dos que auxiliaram na sua realização. E agradecemos, sobretudo, ao próprio Ângelo Monteiro.
Bruno Yoshio Mori
Conheça o Instituto.
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